quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Fim das Publicações

Bom dia, leitor fantasma. Venho por meio deste encerrar as atividades neste blog. O que acontece é que seu humilde tagarela comprou uma máquina de escrever Olivetti, modelo Studio 45, e não vai ficar digitalizando testículos por aí só para virtualizar um pouco. Peço desculpas aos que estavam curtindo, então aí vai um presentinho, sobre Bukowski.

- É óbvio que isso é um tema recorrente em todos homens, mas não justifica tamanho deslumbramento ou reocorrência! É lógico que algo aconteceu com ele!

- Tu ta errado e ponto final. Isso jamais aconteceu.

- Não que isso tenha ocorrido, de fato, mas de algum jeito ocorreu.

- Tu sempre vem com essas idéias absurdas sobre o surgimento de idéias nos escritores. O Bukowski nunca teve o pau desfigurado, isso é só uma teoria sua muito falha.

- Olha, eu não sou um assíduo leitor de Bukowski. Acho o cara repetitivo demais. Mas eu leio dois livros dele e duas vezes me aparece a questão de perder ou quase perder o pau! Me deixa falar que eu explico.

- Ok, quais eram os contos?

- O da Bernadette, lembra? O cara vai no médico com o pau desfigurado, e vai falando da Bernadette? Aí no final da história ele conta o que aconteceu, a Bernadette deu um fora nele, e ele ficou pensando nela em casa até sentir tesão e tentar foder uma garrafa. O pau fica entalado, ele quebra a garrafa e corta o pau. Quase perde a capacidade de ficar durão!

- É só imaginação! Uma garrafa é muito pequena!

- Pra quem? De qualquer jeito, no outro ele vai enrolando a namorada, mas passa no motel e fica com uma puta gorda que conta uma história sobre louva-a-deus. A fêmea louva-a-deus come a cabeça do macho e mata ele depois do coito. Aí depois a puta chupa ele e morde, arranca a cabeça do pau dele. quer dizer, ela fica pendendo por uma pelezinha, apenas. Bleargh. Então ela vai embora e o cara liga para a namorada dizendo que não poderá ir no compromisso com ela.

- Não significa que ele perdeu o pau ou quase perdeu o pau.

- Ele ainda dá detalhes sórdidos...

- Ele sempre faz isso...

- Olha, eu não to dizendo que o Bukowski foi castrado. Quer dizer, estou, mas não na realidade. Sim, pode ter acontecido na realidade, ou não. De qualquer jeito, ele sempre foi viril. A questão é que ao passo que isso é um tema recorrente para ele, de alguma forma ele sabe que perdeu o pau. Ou que o modus operandi do seu é deformado, cicatrizado. Podre, talvez, ou baleado. Ossos do ofício!

- Não entendi

- A fantasia, querendo ou não, sempre vai ser real, em algum lugar. Quer dizer, você não sabe onde algum amigo nosso está, mas ele está, nesse exato momento. Ele existe. Que nem a fantasia. Ela é, de fato viva. E Bukowski foi castrado. A questão é que só as pessoas mais interessantes dão atenção a fantasia, e Bukowski era assim. Não que eu duvide que ele tenha tido o pau mordido por uma puta. O Bukowski andava fora da faixa de segurança, afinal.

- Ok, ok. Então ao passo que o leitor está nesse exato momento lendo isso, ele está viajando?

- Ora, por que não? Nunca ocorreu contigo? Você lê, lê, lê, e quando chega no fim da página percebe que não entendeu direito, e quando tu volta no texto não lembra de nada do que leu? Aí você fica pensando e se dá conta de que estava em outro lugar, e sequer reparou? Leu tudo aquilo sem ler?

- Leu sem ler? Sem ler o que?



Como vocês sabem, ou não, Bukowski, no fim de sua vida, trocou a máquina de escrever pelo computador, porque é mais fácil, e eu estou migrando no outro sentido.

um abraço

Theo S. da Rocha