
"O grande jornalista Hunter Thompson escreveu, ao fim da década de 80, que aquela havia sido a pior década do século XX para se ter vivido. A consolidação de uma era policial no ocidente, o apocalipse cultural (se é que é possível reduzir mais ainda o pouco de cultura da cidade).
Mais da metade dos bares de Porto Alegre já foram vítimas da SMIC. A tendência é no sul nos fodermos sem camisinha também, sempre com o mesmo propósito, trazendo consigo a verdadeira geração de suínos, em que ninguém se orgulhará de fazer parte do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. O imoral se tornou poeira do dia a dia? O que os jovens vão tornar ao lar, inundado pelas gotas e cem quilômetros por hora, para manter a existência, tudo isso dentro do parque?
Como disse Iggy Pop: “America takes drugs in psychic defense”. Bem, aqui que em algumas semanas, quase nenhum bar esteja aberto depois da meia noite. 00:00h. Já dirá a lei, seguindo o que lhes é dito com passividade, uma década em que, quando todos os bares fecharem e não quisermos controle, nunca vamos escapar de duas sirenes ligadas. Não sendo lá uma cidade de grandes entretenimentos, Porto Alegre caminha na direção de filho deficiente do moralismo. Ou ele descende da necessidade de auto-afirmação, em que perca a identidade dualista de errado e maléfico? Um estado policial que morre no final.
Mas como seguir resistindo? Onde vamos beber a fuga parcial condenada a retornar? Ao próprio parque é permitido caçar o outlaw, zunindo, arrastando o som estridente de sua maturação do moralismo: a batata da mente correta. Minha perna não era o único desconforto que sentia: ter que fazer para o imoral a herança católica maniqueísta a grama que pinicava descansando, enquanto eu deitava sob o sol. Enquanto eu lia, o sexo mata. De fato, a perfeita grama da Redenção não mais é apenas um texto do Bukowski.
E tudo o que foi dito não é novidade."