Então eu pego o pequeno felino nas minhas mãos e parto para a ação. “Vem cá, gatinho, ts ts ts”. Yeah, vamos lá. Ele metade entorpecido, metade confuso, mal consegue se mexer. We are gonna have some fun. Aí eu começo a função. Ele deitado no chão, barriga para cima, eu pego meus dois dedos e vou fuçando no seu olho.
Have you ever seen the rain? Ele emite seu primeiro ganido. O primeiro de muitos. Eu enfio meus dedos por entre o globo ocular e um princípio de dilúvio sanguíneo escorre pelo seu rosto. Os ganidos se tornam berros. Uma pobre vida perdida, fadada a morte, como todas as vidas e tudo o que existe.
Eu retiro seu olho, ele começa a espernear. Eu o seguro com força. O lugar reservado ao seu olho, na parte esquerda do rosto, vazio, um vácuo, como qualquer compaixão que eu sinto. Então eu amasso e estouro seu primeiro olho e parto para o próximo. Vamos repetir o procedimento! REPEAT
Já existe uma poça de sangue sob ele. O sangue rubro-escuro, se misturando com o basalto da calçada. Os urros se tornam altos demais, então eu rapidamente abro sua mandíbula, e a puxo até onde ela aguenta. Clec. Dead cats, dead rats. Para finalizar meu grande truque, jogo o cadáver para cima, e enquanto ele cai, eu o chuto para longe. O goleiro repõe a bola, e o jogo continua!
Saio dali sentindo a adrenalina e a satisfação de gozar do meu lugar no topo da cadeia alimentar. Ah, a vida! Hoje vou tomar uma cerveja para celebrar minha grande atuação no jogo da natureza. Ice cold beer, ice cold death.
Pouco acredito no que estou vendo. Esse sujeito foi em direção ao pobre gatinho indefeso e confuso, na rua, e em princípio achei que ele o fosse ajudar. Pensei que ainda existiam pessoas que simplesmente se importem. Mas ele pega o gatinho com tanta violência e descuido. O que está acontecendo?
Então ele pega sua mão, uma mão enorme e indelicada, e simplesmente enfia os dedos no olho do pobre animal indefeso. Um olho é arrancado. Eu penso em interferir, mas esse sujeito é tão grande... eu não teria a menor chance. Pedir para ele parar, e então o que? Ser morto a porradas? Então eu simplesmente tento parar de olhar, para não presenciar mais daquilo, mas por alguma razão não consigo.
O sujeito dá risadas, e parte para o próximo olho. Pura violência e perversão. Tem sangue por tudo, e ele novamente arranca o único olho que resta no pequeno amiguinho felino. Os gritos são tão altos. Como alguém pode fazer isso? Como alguém consegue tão desenfreadamente causar o mal, sem expressar nenhum escrúpulo de dor em si mesmo?
Ele então quebra a mandíbula do pobre gato, e o chuta para longe. Eu sinto que não conseguirei dormir essa noite. Precisarei tomar uma boa dose de cerveja para conseguir viver com essa cena. Tamanha crueldade, e dor, e ainda sim descaso e... quase... prazer. Por que existem pessoas assim?
E assim, o jovem torturador seguiu andando, a única alma viva naquela rua escura, para se embebedar. Metade feliz, sentindo os impulsos do prazer em suas veias, e metade culpado, envergonhado e arrependido. O alívio desses sentimentos aponta para um lugar apenas: o bar. Já as origens desses atos e sentimentos, entretanto, apontam para e existência de diversas pessoas, dentro do corpo de uma só. Todo o sentimento vive com a presença de sua oposição. É o preço que se paga, por sentir. Enquanto o torturador acha que não sente culpa, o ingênuo acha que não sente prazer, e os dois são um só.
Nenhum animal foi ferido para a produção desse texto.
Theo S. da Rocha