quinta-feira, 14 de outubro de 2010

The Tico e Teco Conversations II

- É um grande contraste esse

- Qual?

- Teoria e prática. São quase opostos.

- Em que sentido?

- No sentido de fala e hábitos, no que diz respeito a todas as pessoas. A fala diverge da ação.

- Hey man, aonde tu quer chegar com isso?

- Tudo o que eu estou tentando te dizer é que as pessoas falam como desejariam ser, mas agem como de fato são. Essa é a falha do discurso e da palavra.

- Hmmm... Algo como “as pessoas são controversas”?

- Sim, mas não como mentirosas, mesmo que mintam para si mesmas.

- E se houvesse a possibilidade de se auto-convencer através do próprio discurso?

- Você acredita nisso?

- Você acredita?

- Não

- Eu gostaria de acreditar. Não creio que seja impossível.

- Tu acha que tem como mudar sua própria essência, o âmago de um ser, através de um discurso aprendido, e não criado por essa essência?

- Parcialmente sim

- Parcialmente não conta, é falso.

- Bom, é o ‘parcialmente’ que move o mundo, não?

- Vá se foder. Move o mundo, mas veja quantas pessoas se sentem felizes e completas. Nenhuma. Move o mundo de uma maneira fodida e pobre. Sem contar que limita a capacidade de percepção e pensamento das pessoas.

- É, grande coisa, grandes percepções e pensamentos vivendo no máximo 20 anos de vida. É graças ao ‘parcialmente’ que tu pode vir aqui e falar comigo.

- Mesmo assim, não quer dizer que um discurso frequentemente afirmado traga a transformação que o discursante busca.

- Talvez sim, talvez não.

- Você preferiria ser cego ou ser surdo?

- Nenhum dos dois

- Ok, se tivesse que escolher

- Provavelmente preferiria ficar surdo. E tu?

- Cego.

- Não tá falando a verdade

- É sério. Acho que a imagem mente demais.

- Ora, antes eram as palavras, agora são as imagens. Controverso não?

- Não, as palavras a que me referi dizem respeito a um discurso que tenta afirmar uma imagem. A imagem é supervalorizada hoje em dia. A assertiva “uma imagem vale mais que mil palavras” erra no que dá valor a ambas. Elas valem o mesmo, e mentem da mesma forma. Vai por mim, eu entendo dessas coisas, estive nesse ramo há tempo demais.

- Preferiria ser castrado ou morrer?

- Morrer, um milhão de vezes. Pergunta idiota.



Theo S. da Rocha